Esta investigação debruça-se sobre as “Notes on The Waste Land” (“Notas sobre The Waste Land), de T. S. Eliot, a fim de colocar em xeque sua suposta função explicativa. Em outras palavras, defende-se aqui a tese de que as notas de Eliot não operam como mapa interpretativo do poema; pelo contrário, valem-se de uma posição limítrofe para complicar todo gesto analítico, inclusive aquele por elas a princípio fundado. As “Notas sobre The Waste Land” ironizam o próprio dispositivo acadêmico que lhes serve de base para exercer seu pretenso papel esclarecedor. Para defender tal argumento, cada um dos cinco capítulos do presente trabalho parte de uma das notas do poeta e investiga o adiamento interpretativo resultante do choque entre os versos e a “autoanálise” ali proposta. Uma vez que as “Notes on The Waste Land” afastam-se do intuito elucidativo que lhes foi designado, cabe, portanto, associá-las ao mesmo procedimento crítico que fundou as noções de “paideuma” e “tradição”. A rigor, parece-nos que estamos diante de mais uma das moedas falsas do modernismo.
