Esta tese analisa separações conjugais litigiosas em processos jurídicos arquivados nas Varas de Família de Curitiba no período de 1976 a 1995. Minha proposta consiste em desvendar de que maneira as mudanças assinaladas nos estudos sobre família foram registradas nesses processos. O universo da pesquisa é composto por uma categoria social contingente - "homens e mulheres em processo de separação conjugal litigiosa". Os processos de separação foram entendidos como "drama social". A ruptura e quebra dos deveres matrimoniais evidenciam a existência de duas lógicas que organizam as relações familiares. As narrativas jurídicas sobre as desavenças conjugais enfatizam a família como sendo o lugar da confiança e da troca desinteres-sada. Com o rompimento revela-se a dimensão contratual do casamento civil: a separação corresponde ao momento de se fazer cálculos e assegurar direitos. Nesse sentido, a reciprocidade rompida cede lugar à lógica do mercado e do contrato. Daí porque as narrativas jurídicas constroem as desavenças conjugais com reiterados argumentos, com ênfase nos detalhes e com estratégias formuladas e reformuladas. Nessa elaboração, a separação corresponde ao momento em que se recontratam as relações familiares e se constrói uma nova categoria de família: a "família recontratada"